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LITURGIA DIÁRIA

LITURGIA DIÁRIA - REFLEXÕES E COMENTÁRIOS

Diário de Segunda-feira 03/12/2012






Segunda-feira, 03 de dezembro de 2012



“Que bom se pudéssemos por o espírito de natal em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano.” (Harlan Miller)




EVANGELHO DE HOJE
Mt 8,5-11


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, 5quando Jesus entrou em Carfanaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6“Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!, e ele vai; e a outro: ‘Vem!, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!, e ele o faz”. 10Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”.



- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.





MEDITANDO O EVANGELHO

Alexandre Soledade


Bom dia!
Estamos no Advento! O que será que aconteceu no mundo das 23h59 de sábado para a zero hora de domingo? O que muda de uma noite para outra em nossas vidas que, para o mais sensíveis, parecem ser impregnados de um tempo de calmaria, paz e perdão…
Parece que estamos imbuídos de realizar uma grande festa de aniversário onde todos são convidados e ao mesmo tempo responsáveis em prepará-la. Faz-nos lembrar aquelas comemorações de criança que precisamos providenciar os convites, o local, o bolo, as atrações, (…). A festa é tão grandiosa que todos se empenham para que ela aconteça com máximo sucesso.
Não sou apenas CONVIDADO a participar da festa e sim também ser COLABORADOR para que ela aconteça, portanto o Natal só acontece em minha vida se entendo que preciso fazer minha parte no duro processo chamado mudança.
Deus sempre será um Pai bom e misericordioso, pois deixa bem claro isso com suas demonstrações físicas, chamadas de alianças com seu povo, mas não posso partindo desse amor incondicional, me apegar à misericórdia de Deus e não ser pelo menos melhor que ontem, ou seja, não somente convidado, mas sim um colaborador.
“(…) Se é verdade que tenho todo o vosso favor, dai-me a conhecer os vossos desígnios, para que eu saiba que tenho todo o vosso favor; e considerai que esta nação é o vosso povo.” O Senhor respondeu: “MINHA FACE IRÁ CONTIGO, E SEREI O TEU GUIA.” “Se vossa face não vier conosco, disse Moisés, não nos façais partir deste lugar. Por onde se saberá que temos todo o vosso favor, eu e o vosso povo? Porventura, não é necessário para isso justamente que marcheis conosco? É o que nos distinguirá, eu e o vosso povo, de todas as outras nações da terra.” “O que pedes, replicou o Senhor, fá-lo-ei, porque tens todo o meu favor, e te conheço pelo teu nome.” Moisés disse: “Mostrai-me vossa glória.” E Deus respondeu: “Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor, e pronunciarei diante de ti o nome de Javé. DOU A MINHA GRAÇA A QUEM QUERO, E USO DE MISERICÓRDIA COM QUEM ME APRAZ“. (Êxodo 33, 13-19)
O centurião do evangelho de hoje consegue tocar o coração de Jesus não somente apelando para usa infinita misericórdia e sim porque demonstra uma fala verdadeira e sincera. Ao ser declarar indigno da presença de Jesus em sua casa, na verdade abre as portas de sua própria salvação.
Quantas vezes nós, em virtude do orgulho, da arrogância, da leviandade, da soberba, nos afastamos de Jesus crendo que estávamos ao seu lado? Quantos irmãos que vivem dentro da igreja, se dizem cristãos, mas na verdade apenas participam da festa sem ter ajudado em nada na sua realização?
Aqui estão aqueles que levantam a bandeira da santidade sem buscá-la. Irmãos que são “santos” aos olhos dos outros, mas no mundo real enganam, sonegam, mentem, maltratam as pessoas. Quantas pessoas ainda acham que coordenações pastorais comunitárias, eletivas (vereadores, deputados,…) são uma oportunidade de serem vistos, ganhar status, dinheiro? Quantos por ai andam usando o nome de Deus em programas de TV para poder idolatrar o deus dinheiro por trás de seus “santos milagres”?
“(…) A presença de Jesus no meio dos homens significa a chegada dos tempos messiânicos e o pleno cumprimento de todas as profecias do Antigo Testamento. Os sinais que Jesus realiza atestam este fato. Mas para que as pessoas participem do Reino de Deus de modo a usufruir dos dons que lhes são oferecidos nestes tempos messiânicos, faz-se necessária a aceitação plena de Jesus e de sua palavra, assim como a adesão à causa do Reino de Deus. Não basta ser católico para participar das coisas do alto, é necessário assumir a fé e ter uma vida coerente com ela”. (Reflexão segundo a CNBB)
Os preparativos da festa começaram ontem… O que eu tenho que fazer para que a festa aconteça em minha casa?
Um grande abraço fraterno





MOTIVAÇÃO NO TRABALHO


Max Gehringer responde

  
PALAVRA DA SEMANA: BUNDO. Sufixo latino – bundus – que agrega a outra palavra o estado de “ser” ou “estar”, como em “vagabundo” (aquele que anda sem rumo) ou “moribundo” (estar próximo da morte). O sufixo, pelo seu som hilário, poderia ser mais aproveitado no mundo corporativo. Por exemplo, em “gerebundo”, aquele que não é gerente, mas age como se fosse.



Tenho tido longas discussões com meu filho de 17 anos sobre a melhor carreira para ele... – Luciano


Põe longa nisso, Luciano. Sua carta tem duas páginas e foi só um resumo das negociações. O que está acontecendo é que você é pragmático, e seu filho não. Você enfatiza o aspecto financeiro da vida profissional. Ele acha que ganhar dinheiro não é o mais importante. Você quer discutir um planejamento detalhado de cursos para os próximos oito anos. Ele enxerga essa planilha de modo tridimensional, como uma gaiola. Tudo o que você está fazendo mostra o ponto de vista de um pai preocupado, o que é compreensível. Mas, em sua carta, não há uma única linha em que você indica ter ouvido as razões de seu filho. Você expõe suas opiniões, e ele resiste a elas. Provavelmente, você conseguirá o que deseja, por meio da imposição. Mas, como você diz, “eu passei por muita coisa que não quero que ele passe”. Por que não? Quem pode afirmar que seu filho, caso possa decidir por si mesmo, vai necessariamente tomar as decisões erradas?




Estou há dez meses como analista júnior em uma das maiores consultorias do país. Recebi uma proposta para trabalhar em uma empresa de porte médio, como assistente financeiro, ganhando 35% a mais. Já estou com a carta de demissão pronta, mas meu pai insistiu que eu lhe escrevesse antes de entregá-la. – C.J.


Pelo jeito, seu pai não acha que você deve sair, e eu concordo com ele. Grandes consultorias internacionais são uma grife no currículo. Após três anos numa delas, o profissional pode se tornar “sócio”, passando a ter uma participação nos resultados. Ou, caso decida sair, receberá propostas bastante atraentes de grandes empresas. Sabendo disso, as consultorias não oferecem salários muito generosos para os recém-chegados. Portanto, C.J., não é a empresa de porte médio que está lhe pagando muito, é você que ainda está ganhando um salário de iniciante aprendiz. Mas, se você mudar, seu currículo perderá a aura. Seu próximo passo na carreira seria saltar da empresa média para uma empresa grande, e isso não seria fácil, nem lhe proporcionaria outro grande pulo salarial. Em síntese, você está pensando no curto prazo, e seu pai no longo prazo.




O nome da faculdade influi muito na hora de conseguir um emprego? – M.M. Martins


Sim, se você concentrar a busca em empresas de grande porte. Nelas, o número de candidatos por vaga é bastante alto, e um dos critérios do processo de eliminação prévia é o nome da faculdade. Porém, as 500 maiores empresas do Brasil empregam, se tanto, 5% do total de funcionários do setor privado. Se você tem a opção de cursar uma escola renomada, ótimo. Se não tem, não veja isso como grande obstáculo. E comece a procura por vagas em empresas de médio porte.




Sou recifense, estou me formando em Administração, mas não encontro qualquer vaga por aqui... – Lourival


Lourival, no dia em que um administrador não encontrar qualquer vaga, formandos em outros cursos já terão perecido por inanição. De modo geral, cursos superiores são restritivos quanto à possibilidade de escolha. Administração, ao contrário, dá amplitude ao leque de opções. Você pode trabalhar num hospital, num clube de futebol, num restaurante e em mais uma penca de locais. Tenha paciência e seja persistente. E não imagine que, saindo do Recife, suas possibilidades aumentarão. Aí estão todas as pessoas que poderão ajudá-lo.




Estou querendo um emprego que pague bem, mas não exija muito estudo nem muito esforço. O que você me diz? – L.


Que você é um querebundo.




MOMENTO DE REFLEXÃO


Conta-se que em Londres vivia um funcionário da limpeza pública chamado Mollygruber.
Idoso, era estimado por todos pelos valores morais que cultivava.
Uma manhã, quando recolhia o lixo do parque onde trabalhava, viu que um menino se debatia desesperadamente nas águas do lago. Logo percebeu que o garoto estava se afogando.
Pessoas se aglomeravam, assistindo curiosos, barulhentos, sem nada fazer em auxílio à criança.
O velho trabalhador, embora com suas dores reumáticas, se atirou na água gelada. Com dificuldade, trouxe o menino são e salvo, de volta às margens do lago.
Dada sua saúde precária, caiu desmaiado ali mesmo. A ambulância foi chamada e ele foi levado ao hospital.
Seu feito logo ganhou as páginas dos jornais.
Enquanto isso, a mãe do menino que fora salvo, chegou ao local e começou a examinar o filho, totalmente transtornada.
Em dado momento, olhou para a cabeça do menino e notou a falta do boné que ela dera de presente a ele, naquele dia.
Começou a gritar e a reclamar, dizendo que o velho roubara o bonezinho do seu filho.
E exigia que trouxessem de volta o boné. Como ninguém lhe atendesse o desejo, por totalmente descabido, ela foi até o hospital.
Nem se dera conta de que a vida de seu filho, o bem mais precioso, fora preservada. Que, graças a Deus, ele estava bem porque fora retirado da água, antes de ficar enregelado.
Não. O que ela queria era o bonezinho do garoto.
Chegando ao hospital, exigiu ver o velho que realizara o furto.
Tanto gritou e fez escândalo, que o médico de plantão, indignado, lhe disse:
Se a senhora não deixar o nosso herói descansar e se recuperar em paz, eu chamo a polícia para prendê-la.
Com o choque, a mulher se calou e foi para casa.
No dia seguinte, o idoso trabalhador morreu. Os moradores da região, aonde ele vinha servindo com retidão, há anos, inundaram o parque de flores e de letreiros com mensagens de gratidão.
Era a sincera homenagem a quem doou a própria vida para salvar uma criança desconhecida.
Por vezes, esquecemo-nos de ser gratos a dádivas que nos são ofertadas.
Em vez de lembrarmo-nos das alegrias que nos chegam, dos amigos que nos brindam com sua presença, lembramos somente da maldade com que fomos alcançados em algum momento.
Assim, um amigo nos oferece seu carinho e atenção por anos. Certo dia, em que ele não está bem, e nos dirige uma palavra infeliz, de imediato o descartamos de nossa convivência.
E, dali por diante, a todos os que encontrarmos, diremos da nossa mágoa, da agressão que recebemos da má educação do ex-amigo.
Contudo, nos dias de felicidade e bem querer, não ficamos alardeando tudo o que aquela pessoa nos ofereceu.
Esquecemos de que passou a noite conosco, no hospital, quando nos acidentamos e nossos familiares estavam distantes.
Olvidamos que nos estendeu a carteira farta, nos dias das nossas necessidades, nunca pedindo pagamento dos dispêndios que teve conosco.
Não recordamos dos dias de alegria das férias compartilhadas, dos passeios realizados, dos momentos em que nos alimentou a alma com a sua alegria e disposição.
Pensamos somente no ato infeliz de um dia, de um instante.
Pensemos um pouco se, ante as bênçãos que nos chegam, não estamos agindo como aquela equivocada mãe.

(Postado por Sérgio Ribeiro)


Diário de Domingo 02/12/2012






Domingo, 02 de dezembro de 2012
Primeiro Domingo do Advento


“Melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de natal é a presença de uma família feliz.”




EVANGELHO DE HOJE
Lc 21,25-28.34-36


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 25“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.
27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
34Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.
36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.



- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.






MEDITANDO O EVANGELHO

Padre Antonio Queiroz


A vossa libertação está próxima.
Neste Evangelho, do primeiro domingo do advento, Jesus nos fala mais uma vez do final dos tempos, e usa uma linguagem própria do estilo bíblico que se denomina “apocalíptica”. Nesse gênero literário não se dá valor a cada pormenor, mas à mensagem global. E a mensagem do Evangelho de hoje é de que este mundo não é eterno, ele terá um fim, tal como a humanidade, a quem Deus oferece a salvação por meio de Cristo.
O Evangelho contém uma secção descritiva e outra exortativa. A descritiva tem como centro a frase de Jesus: “A vossa libertação está próxima”. A exortativa chama a nossa atenção para a necessidade da vigilância: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós”.
O homem é um ser que espera. Não podemos viver sem esperança. A humanidade avança graças à esperança. É a esperança que dá força a todos nós nos momentos difíceis.
Muitas pessoas, especialmente políticos, criam falsas esperanças no povo. Mas nenhum sistema político-econômico consegue dar uma explicação satisfatória às grandes inquietações do ser humano, que são a vida, a morte, o sofrimento...
Para nós cristãos, todas as nossas esperanças se convergem na nossa maior esperança que é Jesus Cristo, o qual nos leva para o Reino de Deus, que é uma realidade ao mesmo tempo atual e futura. Cristo é a pedra angular sobre a qual se constrói o edifício da libertação humana. Por isso, “levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. O advento de Jesus e da salvação por ele trazida não são somente para o além, mas para este momento que nos calhou viver. Cabe a nós fazer o mesmo que fez o cego de Jericó que, ao ouvir que Jesus estava passando, jogou o manto e foi ao encontro dele. Esta resposta pronta e decidida se concretiza em deixarmos o homem velho e nos revestirmos do novo, que tem Cristo como modelo.
Da esperança nasce o amor, o qual se transforma em justiça, em fraternidade, em perdão, em paz... Aí está presente o Reino de Deus. Mas para isso precisamos estar atentos às três ameaças à esperança, citadas por Jesus: a embriaguês, o dinheiro e o prazer. São apenas três manifestações do extenso campo do mal alojado em nós.
Por outro lado, a esperança é fruto da oração, pela qual abrimos a porta do nosso coração para Deus entrar e agir.
A vigilância do advento é para nós uma fonte de enriquecimento das virtudes, que nos preparam para o Natal.
“Senhor, concedei-nos o ardente desejo de possuir o reino celeste” (Oração da Missa de hoje).
No advento nós celebramos a primeira vinda de Jesus, mas ao mesmo tempo nos lembramos de que ele virá uma segunda vez, não mais na aparente fraqueza, mas como nosso rei e juiz. Que estejamos preparados!
Certa vez, um homem riquíssimo estava morrendo. Seu filho estava ao lado dele, junto à cama. O homem, em seus últimos momentos, falou: “Filho, segure minha mão”. Ele a pegou, enquanto seu pai continuava: “Filho, você está segurando a mão do homem que se tornou o maior dos fracassos dentre todos os homens deste mundo.” Seu filho retrucou: “Pai, por que o senhor fala assim? O senhor é o presidente de uma das maiores empresas, além de dezenas de outras propriedades. O senhor tem milhares de amigos.”
Então ele respondeu: “Eu vivi por um tempo e não para a eternidade. Eu não me preparei para o momento vindouro. Tudo o que eu tenho, eu vou deixar aqui. Tudo é muito escuro e frio.”
Logo depois ele morreu, com um semblante triste. Ele era, de fato, um homem fracassado.
Nós costumamos medir o sucesso de uma pessoa pelos bens que ela possui. Se os tem em abundância, julgamos ser uma pessoa bem sucedida. Se não apresenta nenhum patrimônio. Logo a taxamos de fracassada. Mas o sucesso ou fracasso não está na quantidade de bens que possuímos, mas na nossa preparação para a vida eterna. “O ser humano é como um sopro; seus dias, uma sombra que passa” (Sl 144,4).
Maria santíssima ocupa um lugar de destaque no advento. Ninguém viveu melhor do que ela a espera do redentor, inclusive fisicamente, pois ela o trazia em seu ventre. Sua figura ilumina o advento, transbordando ao mesmo tempo alegria, esperança e vigilância. Que seu exemplo nos ajude neste novo tempo litúrgico.
A vossa libertação está próxima.





VÍDEO DA SEMANA

Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra, no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu.

Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo.
Artista





MOMENTO DE REFLEXÃO

Meus estudos a respeito do autismo começaram nos anos 40. Sendo a criança mais nova de nossa família, com cerca de quatro anos eu sabia que Scott era o nosso segredo, um constrangimento que mandávamos para um quarto dos fundos quando tínhamos visitas.
Sua dor e a dor que ele nos causava eram muito íntimas para serem partilhadas com os outros. Minhas irmãs e eu saímos de casa assim que nos foi possível, casando cedo ou estudando em universidades do outro lado do país.
Anos mais tarde eu ouvi uma psicóloga classificar nosso comportamento como "fuga de irmãos". Foi realmente uma debandada, mas Scott não nos expulsou. O medo, a vergonha e a confusão tornaram nossa casa insuportável.
Bem pequeno, eu achava que a deficiência de Scott era a pior sina que uma família podia sofrer. Vi meus pais se curvarem sob o fardo e sabia que eu não poderia segui-los. Poderia acontecer novamente? Seria possível que eu fosse pai de "uma criança que nunca cresce"?
Esse medo me assombrou durante meus vinte anos, mas, após cinco anos de casamento, eu sabia que teria que começar uma família ou perderia a mulher que amava. Troquei meus pesadelos por esperanças e concebemos nosso primeiro filho.
No nascimento de Ted eu importunei o médico, querendo que ele me assegurasse: haveria chance - mesmo uma chance pequena - de que esse bebê perfeitamente formado tivesse um defeito? Ted passou em todos os testes. A despeito de uma cesariana, ele obteve nota nove na escala dos recém-nascidos – um campeão na sala de parto!
Como muitos homens, eu não sabia muito sobre bebês, mas sabia que nenhum outro bebê podia ser comparado com o meu primogênito. Cada movimento, cada passo e palavra pareciam precoces e brilhantes!
Por volta do segundo aniversário de Ted nós percebemos pequenas peculiaridades, excentricidades que sugeriam que ele era diferente (mas certamente melhor!) das outras crianças.
Sua linguagem era estranha (talvez ele não precisasse fazer perguntas). Ele não brincava com outras crianças (talvez preferisse adultos). Seus resultados nos gráficos de desenvolvimento começaram a cair (talvez os gráficos estivessem errados).
Por volta de seu terceiro aniversário, nós sofremos durante uma série de diagnósticos que mais pareciam adivinhações profissionais: "danos cerebrais", "neurologicamente debilitado" e, finalmente, "autista". Procuramos ajuda, formas de "consertar" Ted.
Porém, quanto mais aprendíamos, menos tínhamos esperanças. Parecia que meu pior pesadelo havia se tornado realidade: minha segunda família parecia tão condenada quanto a primeira.
No lado positivo, minha esposa e eu possuíamos recursos que meus pais nunca tiveram: emprego fixo, melhor escolaridade e acesso a um centro de treinamento dentro da universidade. Além disso, a sociedade começara a reconhecer os direitos e as necessidades das pessoas com deficiências.
Diferente de Scott, que nascera nos anos 20, meu filho dos anos 70 não teria que ficar em casa. A lei lhe garantia uma educação "adequada". A compreensão médica também havia aumentado. Os médicos não mais culpavam os pais pela deficiência. O estigma estava se levantando como uma nuvem. Decidimos que nunca esconderíamos essa criança. Não tínhamos vergonha dele.
Revendo o passado, percebo que a família da minha infância havia entendido tudo errado: Scott não era "o nosso problema” - nós éramos o problema dele! Doeu ter que encarar esta verdade, mas a dor trouxe uma descarga de adrenalina e determinação. Atingiu-me como um raio: se algo é uma maldição ou uma bênção, depende da nossa interpretação.
Enquanto minha esposa e eu tentávamos entender Ted, estávamos determinados a não negligenciar nosso segundo filho, nascido três anos depois. Como irmão de Scott, eu podia me identificar com as preocupações e necessidades de meu filho mais novo, ainda que ele nunca falasse sobre elas. Ele ansiava por um irmão "normal" e preocupava-se durante sua busca adolescente por identidade.
Criar dois filhos com necessidades tão diferentes testou-nos ao máximo.
Tropeçamos através de suas infâncias, esperando pela formatura como por uma prometida luz no fim do túnel. O aniversário de vinte e dois anos de Ted nos encontrou bem preparados para sua passagem para o mundo adulto. Ele se formaria no final do ano.
Entre empregos de meio expediente e alguma ajuda do governo, teria uma renda razoável. Seus supervisores o conheciam bem e o haviam treinado durante estágios estudantis. Chegamos até a arrumar um apartamento para ele no porão.
Nós achávamos que estava tudo planejado para a formatura, mas Ted não concordou. Naquela primavera, em seu último ano, ele nos pegou de surpresa com sua declaração:
- Eu vou à festa de formatura.
Ele pensara nisso durante anos. Com dezoito anos, havia visto os garotos de sua idade planejarem sua festa de formatura. Agora, ele via sua oportunidade. Só precisava de uma acompanhante.
Mas ele simplesmente não conseguia arrumar, sozinho, uma acompanhante. Algumas das meninas o achavam "engraçadinho" e toleravam sua atenção nas assembleias estudantis, mas nenhuma sairia com ele.
Entretanto, um amigo da família tinha uma filha chamada Jennifer. Uma loura admirável, Jennifer conhecera Ted e gostara dele. E ela entendia o que a festa de formatura significava para ele. À medida que o grande acontecimento se aproximava, nós ajudamos Ted a se preparar.
Tiramos a poeira do smoking da família, que ficava melhor em Ted do que em mim. Ele concordou em deixar que eu o levasse no carro da família. Planejou até mesmo o jantar que teriam antes do baile. Só faltava um detalhe: as flores.
Eu poderia ter encomendado aquelas flores em dois minutos, mas queria que Ted tivesse a experiência. Imaginei, comovido, se ele jamais teria outra oportunidade de dar flores a uma mulher.
Antes da ida ao florista, Ted "fez de conta". Praticar as palavras em casa torna mais fácil dizê-las em outra situação. Ted me deu o papel do florista. Então convidei-o para minha floricultura imaginária. Ensaiamos até que Ted pareceu saber tudo na ponta da língua. Então caminhamos até a floricultura do bairro.
Ouvindo a porta, o florista parou o que estava fazendo e voltou sua atenção para nós. Esperei que Ted falasse, olhando-o com expectativa. A loja ficou muito silenciosa.
Seu corpo inteiro havia enrijecido. Então ele fez uma careta e deixou escapar:
- Meu nome é Ted. Vim aqui para alugar as flores roxas. O florista pareceu espantado. Ele olhou de relance para mim enquanto eu estimulava meu filho.
- Vamos tentar de novo, Ted.
Ele respirou fundo algumas vezes e franziu as sobrancelhas. Eu o encorajei a ficar calmo e falar pausadamente. Finalmente ele foi capaz de explicar.
Precisava das flores para sábado. Sua acompanhante queria usá-las no pulso. Ele preferia rosas cor de lavanda. Pagaria quando as viesse buscar no sábado.
Eu não havia esperado a reação do florista:
- O senhor tem muita paciência - ele me disse. - Eu nunca poderia ser tão paciente.
"Não!", eu queria gritar. Isto não é paciência, isto é compreensão. Nossos sistemas nervosos funcionam. Eles transmitem sinais instantaneamente dos bancos de memória para os centros nervosos e as cordas vocais fazem o caminho inverso. Ted tem que trabalhar esse processo, lutando corrente acima em direção a uma vida que nós tomamos como certa.
O florista estava admirando a pessoa errada! Sem ele saber, Ted escalara barreiras do tamanho de montanhas e nadara oceanos de confusão para chegar a esse ponto. Ele não estaria montando quebra-cabeças no sábado à noite, como seu tio Scott fizera com tanta frequência. Ted ia à festa de formatura.
Na noite da formatura, deixei Ted e Jennifer na festa. Em casa, liguei para uma de minhas irmãs. Falamos sobre a vida atrofiada de nosso irmão e sobre o impressionante progresso que Ted já fizera. Choramos.
Tenho uma foto da festa na minha mesa. Jennifer está ao lado de Ted. Em seu pulso está um pequeno buquê de rosas cor de lavanda.

(Charles A. Hard, Entregue por Edna Smith)




Diário de Sábado 01/12/2012




Sábado, 01 de dezembro de 2012


“Montando a árvore de natal, podemos ver em cada bola um remontar, em cada adereço uma esperança, em cada lâmpada um caminho novo a seguir renovando as esperanças, e na estrela do alto um guia em novos caminhos. Essa árvore, por mais que seja bela, se vista por este ângulo, estará ainda mais bela por sua missão.” (Jean Carlos Sestrem)



EVANGELHO DE HOJE
Lc 21,34-36


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 34“Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.
36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar a tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem”.


- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




MEDITANDO O EVANGELHO

Padre Antonio Queiroz


Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar a tudo o que deve acontecer.
Neste Evangelho, o último do ano litúrgico, mais uma vez Jesus nos recomenda a vigilância, com um detalhe importante: orai sempre. Vigilância e oração são as virtudes irmãs e inseparáveis que se apóiam mutuamente.
Deus caminha ao nosso lado, nas vinte e quatro horas do dia, e está querendo nos ajudar. Mas ele não entra na nossa vida, se não pedirmos. Agora, se pedirmos, ele vem, e quando ele vem tudo se resolve facilmente, é claro. Quantas vezes sofremos, afogando-nos num copo d’água, e não pedimos ajuda a Deus!
A oração sustenta a fé e a esperança vigilante, mantendo o nosso contato e diálogo com Deus, como fazia Jesus. É também a oração uma grande força para superar as tentações diária que antecipam já o grande combate que acontecerá no final dos tempos. O supremo modela de oração é Cristo no Jardim das Oliveiras. A palavra agonia significa luta. “Vigiai e orai para não cairdes em tentação” (Mt 26,41). No Pai Nosso nós rezamos: “Não nos deixeis cair em tentação”.
Com a força da oração, nós escaparemos a tudo o que deve acontecer e ficaremos de pé diante de Jesus, o Juiz, o Filho do Homem.
Ninguém consegue prever o dia da própria morte. Ela vem de forma inesperada. “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha”. Quantas pessoas vivem como se não fossem morrer nunca!
Recordando o catecismo, após a morte nós iremos para um destes três lugares: ou para o céu, ou para o purgatório, ou para o inferno. O purgatório é uma morada passageira. Mas o céu e o inferno são moradas definitivas e eternas!
Na prática, a escolha do nosso lugar após a morte é feita por nós mesmos, agora, durante a nossa vida terrena. Jesus, o Juiz, vai apenas confirmar-nos naquele lugar no qual escolhemos viver aqui na terra. E ele o fará com tristeza, se morrermos longe do seu Evangelho e dos mandamentos de Deus.
Daí a importância de levarmos a sério os mandamentos de Deus. Jesus veio para nos salvar, e quer nos ver todos no Céu junto com ele. Por isso que nos deixou palavras claras, como as do Evangelho de hoje.
“Quando Jesus passar, eu quero estar no meu lugar.” Que ele nos encontre como fiéis discípulos e discípulas, obedecendo aos seus mandamentos.
Certa vez, um javali estava afiando sua presas numa pedra. Uma raposa, que passava por ali, perguntou-lhe o motivo de estar afiando suas presas se não havia nenhum caçados, cão de caça ou qualquer outra ameaça rondando o local.
O javali respondeu: “Eu faço isto periodicamente para não ser forçado a afiar minhas armas no exato momento em que tiver de usá-las”.
Que sigamos o exemplo do javali e vivamos sempre preparados, já que não sabemos o dia nem a hora em que o Senhor virá ao nosso encontro.
Maria Santíssima, a nossa Mãe, está pronta a nos ajudar. Peçamos a intercessão dela. “Maria, ó Mãe cheia de graça, protege os filhos teus! Nós queremos contigo estar no Céu!”
Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar a tudo o que deve acontecer.




CASA LAR E FAMÍLIA


Dica para montar sua árvore de natal


Chegou a hora de enfeitar a casa para o Natal. Você já deve estar pensando no "trabalhão" em montar a árvore, e de como ficar mais linda que a do ano passado.
Primeiro, risque já do seu vocabulário a palavra "trabalhão" e veja como é fácil ter na sua sala a árvore de Natal dos seus sonhos. Acompanhe passo a passo e preste atenção nas nossas dicas.
Dicas para Montagem das Árvores
  1) Monte primeiro sua árvore, de preferência, no seu lugar definitivo. Não esqueça de verificar se há uma tomada por perto.
Dica - Abra todos os galhos e estique bem os "galhinhos". A árvore fica muito mais imponente e cheia.
2) Coloque as luzes. Para facilitar, vá de baixo para cima, preenchendo todos espaços.
Dica - Se a árvore ficar em algum canto ou encostada em parede, reforce com luzes os lados que estiverem mais a vista.
  3) Os sinos podem ser colocados até a metade da árvore (de baixo para cima), prenda com ganchos ou no próprio galho.
4) Na sequência, entre com as bolas decoradas e vá misturando com sinos.
Dica: Coloque os enfeites sempre de baixo para cima. Primeiro espalhe em todos os lados e só depois preencha os espaços vazios.
5) Agora chegou a vez dos lacinhos. Misture com as bolas e sininhos.
6) No alto da árvore, coloque sempre um enfeite mais imponente e que chame a atenção. Pode ser um grande laço de fitas, uma ponteira, ou outro enfeite.
7) Para dar o toque final, coloque o Colar Metalizado.
Dica: Seguindo sempre a orientação de colocar de baixo para cima, em movimentos circulares e que tenham uma certa distância para dar a idéia de curva.
Importante:
Após a montagem, olhe de uma distância de pelo menos 3 metros a sua árvore. Observe os espaços vazios e se há unidade na colocação dos arranjos e se os mesmos estão bem distribuídos.
Verifique também se os enfeites estão bem presos na árvore.

Mais Dicas:

Dia 01/12 – dia de montar a árvore de natal. Você já montou a sua? Nós vamos montar a nossa e você vai acompanhar a montagem da nossa árvore.

Existem várias lendas sobre a árvore de natal. Está é uma tradição muito mais antiga do que o cristianismo. Árvores enfeitadas eram usadas na Europa em dias de festa.

Mas o pinheiro... Este é coisa de Papai Noel mesmo. Porque segundo a lenda, o pinheiro foi escolhido por causa de sua forma triangular que, de acordo com a tradição cristã, representa a Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Além disso, suas folhas verdes simbolizam, como Jesus, a renovação da vida!!!

Cada povo utiliza enfeites diferentes, mas segundo uma antiga tradição alemã, é preciso que nossa árvore contenha 12 ornamentos para garantir a felicidade do lar:

- Casa: proteção

- Coelho: esperança

- Xícara: hospitalidade

- Pássaro: alegria

- Rosa: afeição

- Cesta de frutas: generosidade

- Peixe: benção de Cristo

- Pinha: fartura

- Papai Noel: bondade

- Cesta de flores: bons desejos.

- E o coração: amor verdadeiro.

É assim o nosso dezembro – todos os dias um bom dia especial de natal.

Colaboradora: Nanci Custódio:






MOMENTO DE REFLEXÃO


Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.
Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.


Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço”- Carlos Drummond de Andrade